Layout de mapas no QGIS

Outro dia vi em una rede social um comentário colocando a produção de (layout) mapas  como sendo o “calcanhar de aquiles” do QGIS. Como não é a primeira vez que “escuto” tal tipo de afirmação, resolvi publicar uma coletânea de tutoriais sobre a produção de (layout) de mapas no QGIS.

Livro: QGIS Map Design

Começo sugerindo o livro “QGIS Map Design”, produzido pela Gretchen Peterson e Anita Graser. O livro aborda os três principais componentes, quando nos referimos à geração de layout de mapas: Simbologia, rotulação das camadas e a produção em si (layout) do mapa (tradução livre de: “styling layers, labeling, and designing print maps”). O interessante neste livro é chamar a atenção à importância da criação de simbologias adequadas e na configuração de rótulos, antes de tratas das possíveis configurações de layout. O livro não foi traduzido, mas trata-se de um passo a passo com dados disponíveis para download. Acho que não tem como errar.

qgis-map-design

Capa do livro QGIS Map Design.

Mais informação sobre o livro.

Tutorial: Map Desgin on QGIS Composer

Outro tutorial que me chamou atenção, e que segundo o autor teve algumas ajudas do livro citado acima, é “Map Desgin on QGIS Composer“, produzido por Mickael Hoarau (@Oneil974).

QGISDesign

O mais interessante é observar que o autor usa linguagem HTML para organizar alguns estilos do mapa. Bem como apresenta o uso de expressões para inserir a data de produção do mesmo.

QGISComposer3

Exemplo do uso da linguagem HTML no layout do mapa.

QGISComposer2

Exemplo do uso de expressões no layout do mapa.

O tutorial está disponível neste link e os materiais usados podem ser baixados aqui. Assim como o livro, o passo a passo está bem documentado com imagens e por isso, imagino que usuários não fluentes no QGIS (e/ou inglês) também conseguirão obter o resultado apresentado pelo autor.

Tutorial: QGIS Atlas Desgin

O mesmo autor criou posteriormente um tutorial semelhante mas explorando a ideia de criação de atlas, elevando um pouco a dificuldade do tutorial, mais ainda assim, o apresentando de forma prática.

QGISComposer4

Exemplo de criação de atlas no QGIS.

Neste tutorial, Mickael apresenta mais detalhadamente o processo de simbologia usado por ele, usando expressões, além de HTML, CSS para criar os estilos do mapa.

QGISComposer5

Exemplo do uso de CSS na composição do mapa

O tutorial pode ser acessado aqui e os dados usados no exemplo, podem ser baixados deste link.

Tutorial: Visualização de séries temporais

Apresar de não se tratar de um tutorial para geração de layout de mapa estático, o tutorial a Anita Graser apresenta de forma rápida como visualizar dados de séries temporais no QGIS, usando o complemento Time Manager, inclusive com a possibilidade  de exportar a resultado em formato de video. No exemplo, são usados dados de aves migratórias.

Tutoriais: Mapas de “movimento”

Um ponto não tão fácil de se explorar são os mapas (“estáticos”) que representam algum tipo de movimentação. Não à toa, Anita Graser produziu uma série de artigos/tutoriais explorando essa temática. Antes de explorar a parte visual e geração de layout, Anita dedicou um artigo com algumas reflexões a respeito da natureza dos dados e o conceito espaço-tempo.

No segundo artigo sobre o tema, são apresentados algumas possibilidades iniciais de visualização de dados de movimento explorando visualização da  velocidade. Esse tema é usado para apresentar uma funcionalidade “nova” do QGIS (Desde sua versão 2.14): gerador de geometria. Trata-se da possibilidade de modificar a geometria sem a necessidade de processá-la e salvá-la como uma nova camada. O artigo, portanto não explora a geração de layout de mapas, mas sim, uma parte fundamental da mesma que é a criação de simbologias para as camadas de forma eficiente. O artigo pode ser acessado neste link.

Em outro artigo, A autora usa essa funcionalidade de geração de geometrias para a produção de um mapa de fluxos:

preview

Fonte: Anita Graser.

Partindo da geração de três geometrias diferentes e apresentando os comandos usados, fica evidente a gama de possibilidades em se trabalhar com tal ferramenta. Como desdobramento, ela deixa um conjunto de dados e o estilo de mapa neste artigo.

Em seu terceiro artigo, ela reitera o verdadeiro desafio no mapeamento de movimento e trajetória: trabalhar com grande quantidade de dados. Ela busca, então, pesquisas relacionadas à visualização de dados para sanar tal desafio, criando um complemento do QGIS que permite analisar a intensidade (tradução livre de “strength”) e direção dos fluxos.

trajectory_generalization_2

Fonte: Anita Graser.

Como era de se esperar, no quarto artigo a “brincadeira” fica ainda mais complexa e interessante: ela passa a considerar a variação no tempo dos movimentos mapeados. Para isso, cada segmento de rua recebeu um gráfico de ‘pizza’, onde cada quarto da circunferência indica um período do dia (madrugada = azul claro (0 às 6h), manhã = laranja (6 às 12h), tarde = vermelho (12 às 18h), noite = azul escuro (18 às 0h)) e o tamanho do gráfico indica a quantidade de carro naquele determinado período.

2_flows_and_time_pies

Fonte: Anita Graser.

Aos que se interessaram e trabalham com dados de movimento e trajetória, o quinto artigo apresenta alguns tópicos abordados em uma conferência sobre o tema.

Tutoriais: Mapas de fluxos

Aos que precisam explorar mapas de fluxos, foi dedicado uma série de artigos sobre o tema. Como de praxe, Anita Graser dedica o primeiro artigo da série, não apenas à reflexão conceitual e desafios relacionados à tais tipos de mapeamentos, mas também passando algumas possibilidades bem interessantes para tais mapeamentos.

Segundo a autora, o primeiro artigo foi feito com dados simplificados, por isso ela dedicou um segundo artigo para reproduzir o mesmo mapa, mas com dados “reais”. Os dados e os estilos criados também estão disponíveis pelo repositório dela (Veja no link como acessá-lo). O resultado é ainda mais interessante:

migration_twocolor

Fonte: Anita Graser.

Ainda sobre mapas de fluxos, a autora mostra como usar degradê na simbologia das setas, neste artigo.

Está assustado com a quantidade de material a ser explorado? Saiba que ainda tem mais:

Neste artigo, Anita mostra uma alternativa ao uso das setas nos mapas de fluxo, usando rampa de cores para indicar o “volume” de fluxo entre as regiões. Contudo, o mais interessante deste tutorial está em como usar a função de camadas virtuais (“virtual layers”). A ideia das camadas virtuais está em fornecer capacidades de banco de dados às camadas sem a necessidade de configurá-las (basando usar SQL diretamente na camada).

Além do uso das camadas virtuais, é abordado e ensinado como ter melhor proveito do layout de mapas, já que, no caso apresentado pela autora, é analisada uma área composta por 9 polígonos.

migration

Fonte: Anita Graser.

Por último, mas não menos importante, foi publicado recentemente (acho que não preciso dizer por quem) uma forma de simbologia para rios, conhecido (em inglês) como “tapered lines” (ou, em tradução livre: linhas afuniladas). A ideia básica é aumentar a largura da simbologia de acordo com a sua “hierarquia”.

Veja no tutorial que, na verdade ela analisa o segmento em questão em função do total de segmentos. E sabendo que o dados foi digitalizado a montante, ela tem uma aproximação da hierarquia do rio, gerando o seguinte efeito:

tirol_rivers1

Fonte: Anita Graser.

Considerações finais

Como podem perceber, não precisei buscar muito para achar tais tutoriais… Basicamente em um único blog temos todos esses tutoriais disponíveis. Ou seja, não se tratou de um busca extensiva e que esgotasse do tema. Como a simbologia usada nos dados espaciais possuem efeito direto aos mapas produzidos, optei por incluir os tutoriais que explorassem essa vertente.

Chego, portanto, à conclusão que (ao menos em meu caso) o “calcanhar de aquiles” do QGIS é na a (minha) falta de tempo para estudar e explorar a liberdade de expressão e de criação que o QGIS nos possibilita. Mas vale anotar essas dicas e guardá-las para quando for oportuno estudá-las.

Espero que tenham gostado e bom estudo!

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Sobre Felipe Barros

Geógrafo formado pela PUC-Rio, é mestre em Biodiversidade pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro e especialista em analise ambiental e gestão do território pela ENCE/IBGE. Trabalha com softwares livres de análise espacial, banco de dados e sensoriamento remoto.
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