Banco de dados do IBGE 1:250.000 no PostGIS

Em 2013 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibilizou a Base Cartográfica Contínua do Brasil na escala 1:250.000, também conhecido como “BC250”. 

A Base Cartográfica Contínua serve como referência cartográfica para as ações de planejamento, monitoramento e gestão territorial do país, e está modelada conforme as Especificações Técnicas para Estruturação de Dados Geoespaciais Vetoriais na versão 2.1 (ET-EDGV v2.1) (IBGE).

A BC250 foi disponibilizada pelo IBGE em dois formatos:

  • Em um formato de banco de dados proprietário (*.mdb), usado pelo ArcMap;
  • E em PostGIS;

Como a extensão “.mdb ” foi desenvolvida pela Microsoft, o usuários de Windows tem a possibilidade de usar tais dados em diferentes SIGs, mesmo não se tratando de sistemas desenvolvidos pela ESRI. Como sou usuário de Linux, essa possibilidade não se aplica, apesar de haver formas de instalar tal extensão.

Por isso, resolvi usar a versão do banco de dados em PostGIS. Levei um tempo até fazer a incorporação da base de dados ao meu banco e, visando ajudar aos demais que possam ter as mesmas dúvidas que tive, coloco aqui os procedimentos:

AQUISIÇÃO DOS DADOS

A Base de dados pode ser acessada pelo FTP do IBGE, por meio do link:
ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/base_vetorial_continua_escala_250mil/

IBGE_BC250Download da Base Cartográfica 1:250.000, em formato para PostGIS, pode ser feito aqui: bc250_pgis20_dump.zip

É sempre importante ler a documentação referente aos dados para ter mais controle e conhecimento sobre os dados manipulados. A documentação referente à BC250 pode ser acessada aqui.

PREPARAÇÃO DO BANCO DE DADOS

Como o próprio nome do arquivo informa, a base cartográfica foi disponibilizada através de um backup ‘dump’. A ferramenta ”pg_dump” permite realizar o backup de uma base de dados de forma consistente sem impedir sua utilização durante o processamento. O arquivo resultante está em formato de texto, facil de ser restaurado em outras bases de dados.

Contudo, alguns elementos precisam estar configurados conforme o banco de dados de origem. Por exemplo, todos os dados da BC250 estavam em um ‘schema’ chamado ‘bc250’. Por isso, precisaremos criar um com o mesmo nome em nosso banco de dados. Além disso, é preciso criar um usuário com o nome ‘ACC’, que está definido no bc250 como proprietário.

Para criar o schema e usuário por SQL, basta usar os comandos:

--Logando como superusuário
sudo su
su postgres
--Logando à base de dados
psql database
-- Criando o shema
CREATE SCHEMA bc250;
--Criando o usuário
CREATE USER ccar;

RESTAURANDO A BC250

Com tudo isso pronto, precisaremos apenas abrir o arquivo o ‘restore.sql’, com um editor de texto, e mudar o “$$PATH” para o caminho de pastas e subpastas onde os dados foram descompactados.

Para executar o restore.sql, saia da base de dados (comando \q ) execute restore.sql direcionando o à base de dados correta:

psql -d database -f restore.sql

A restauração da Base Cartográfica 250 do IBGE levará um bom tempo, devido à quantidade de dados. Por isso, aproveite para ler a documentação, tomar um café…

A resolução desse ‘problema’ assim, como várias dúvidas tem sido tiradas através da lista de e-mails do PsotGIS Brasil. Fica, então a dica aos que estão interessados: postgis-brasil@googlegroups.com

Abs

Felipe Sodré Barros

Anúncios
Publicado em Banco de Dados Geográficos | Marcado com , , , | 19 Comentários

Materiais sobre PostGIS

Image from: PostGIS online

Image from: PostGIS online

Bom, após algum tempo sem publicar nada (não pela falta de assunto, mas pela falta de tempo), venho divulgar alguns materiais sobre o uso do PostGIS.

Ano passado (2014) fizemos um encontro de usuários de QGIS onde um dos temas abordados foi a integração do QGIS com outros softwares. No caso da apresentação foi dada ênfase ao R e ao PostGIS. Para quem não assistiu à apresentação, segue o link. A ideia era justamente apresentar alguns dos potenciais no uso do PostGIS, e muitos foram os e-mail recebidos pedindo mais informações e materiais sobre o PostGIS. Resolvi compilar alguns e publicar por aqui:

TUTORIAIS

A empresa Boundless, especialista em soluções espaciais livres, possui em seu site em pequeno, mas poderoso tutorial de Introdução ao PostGIS. São 34 ‘capítulos’ e dão um panorama bem geral e consistente sobre manuseio de dados, construção de consultas e principais ferramentas.

O PostGre, possui também uma extensão dedicada à análises e definição de rotas, chamada de PGRouting. No site dos desenvolvedores da extensão há um tutorial básico para aprender a manusea-lo.

LITERATURA

Além desses tutoriais práticos e gratuitos, há livros dedicados ao tema. O primeiro a sair (em 2011, se não me engano) foi o PostGIS in Action. Trata-se de uma apresentação bem didática e detalhada (apresentando inclusive, a construção de consultas em SQL) sobre o PostGIS.

Posteriormente, foi lançado o PostGIS Cookbook. Com uma proposta diferente ao PostGIs in Action, o PostGIS Cookbook apresenta funções, ferramentas e truques para os principais desafios ‘cotidianos’.

OUTRAS PUBLICAÇÕES

Eu percebí, durante o XVII Simpósio Brasileiro de Sensriamento Remoto (SBSR), que foram publicados alguns bons trabalhos usando PostGIS. Por isso resolvi pesquisar o Anais do evento, e tive acesso à três trabalhos que dão ênfase ao uso do PostGIS (possuem PostGIS no título). Por curiosidade, segui pesquisando no histórico do XVI SBSR, onde apenas um trabalho tinha o PostGIS como ênfase. E, como era de se esperar, no XV SBSR, nenhum trabalho foi encontrado com a temática. Percebo uma evolução tímida em relação à quantidade de trabalhos. Contudo, em relação ao uso dado à ferramenta, vejo que há muita evolução nos trabalhos desenvolvidos, inclusive com o uso da ferramenta para Processamento Digital de Imagens. Vale a pena dar uma olhada!

Artigos do XVII Simpósio Brasileiro de Sensriamento Remoto (2015):

Aplicação de técnicas de processamento digital de imagens usando a extensão espacial PostGIS Raster em imagens de sensoriamento remoto
Adeline Marinho Maciel; Lúbia Vinhas; Gilberto Câmara

Pag.: 4651 – 4658
Area: Geoprocessamento e aplicações / Geoprocessing and aplications

Comparação do desempenho de extensões espaciais de SGBD: PostGIS e SpatiaLite
Rodrigo Evangelista Delgado; Pedro Lucas Lopes Zimmermann; Ivanildo Barbosa

Pag.: 3326 – 3330
Area: Sistemas, gerenciamento e política de dados / Data systems, management and policy

Integrando dados Raster à Plataforma da Embrapa de dados de Recursos Naturais dos Biomas Brasileiros: avaliação do uso da extensão PostGIS Raster
Carla Geovana do Nascimento Macário; Alan Massaru Nakai; Sérgio Aparecido Braga da Cruz; Thiago de Siqueira Pereira

Pag.: 2567 – 2573
Area: Geoprocessamento e aplicações / Geoprocessing and aplications

Artigos do XVI Simpósio Brasileiro de Sensriamento Remoto (2013):

Explorando a extensão WKT Raster  do PostGIS para armazenamento e manipulação de imagens de sensoriamento remoto

Lúbia  Vinhas; Karine Reis Ferreira

—————————————————

Vale a ena frisar que as buscas nos históricos do eventos do SBSR, não foi exaustiva. Portanto, caso vc tenha mais trabalhos, materiais e dicas, não deixe de deixar em seu comentário!

Abs

Felipe Sodré Barros

Publicado em Banco de Dados Geográficos | Marcado com , , | Deixe um comentário

Introdução ao SIG para análise da biodiversidade usando QGIS

introSIGNo início do mês de Setembro foi realizado um curso de Introdução ao SIG, para a pós-graduação na Escola Nacional de Botânica Tropical, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Incentivado pela minha orientadora, Dr. Marinez Ferreira de Siqueira, propusemos, pela primeira vez, o uso do QGIS em detrimento do software até então utilizado.

A matéria oferecida no formato condensado (uma semana de aula em horário integral) impôs outros desafios: tornar o curso prático, sucinto e com a parte conceitual sendo abordado a partir dos exercícios.

Produzimos, portanto, 7 tutoriais a serem apresentados em aula com as funcionalidades básicas para análise da biodiversidade com SIG, as quais compartilhamos com vocês:

  1. Trabalhando com dados bióticos:  Apresenta o principal repositório para aquisição de dados bióticos e ensina a incorporar arquivo em formato csv a um projeto do QGIS, salva-lo em formato vetorial e a realizar consulta espacial;
  2. Cortar dados raster (matriciais): Apresenta um dos principais repositório de variáveis ambientais em formato matricial e ensina e limitar (recortar) tal dado segundo uma camada vetorial;
  3. Análise de Extensão de Ocorrência (EOO): A análise de Extensão de Ocorrência é uma das várias análises muito utilizada para auxiliar a categorização do nível de ameaça das espécies. Este tutorial apresenta alguma funcionalidades como filtrar a camada, realizar a análise da extensão de ocorrência e calculo de área.
  4. Análise de Esforço de Coleta: Apresenta algumas ferramentas de consulta espacial, manejo do Sistema de Referência Cartográfica (SRC) e criação de grade regular vetorial.
  5. Análise de Riqueza de Espécies: Apresenta as ferramentas básicas para análise de riqueza, usando o software Excell para gerar a contagem por espécies e gerar o arquivo final em csv a ser inserido no projeto e usado através da união com a camada da grade regular vetorial.
  6. Elaboração de layout de mapas no QGIS: Apresenta o compositor de impressão do QGIs e ensina a elaborar mapa.
  7. Instalação de complementos no QGIS: Apresenta a ferramenta “Gerenciador de Complementos” e ensina a instalar o complementos ‘Open Layers’.

A divulgação pretende contribuir com outros usuário e ampliar o uso do QGIs para análise de biodiversidade, assim como para receber críticas e sugestões de vocês, já que o trabalho apenas começou e o curso está em constante evolução!

Publicado em QGIS | Marcado com , , | 6 Comentários

Acessando dados espaciais PostGIS no QGIS

Uma das grande vantagens em se trabalhar com software livre é a ampla capacidade de interoperabilidade entre diferentes programas. Como tenho trabalhado constantemente com banco de dados espaciais (PostGIS), resolvi evidenciar duas ótimas ferramentas do QGIS para acessar dados espaciais gerenciados no PostGIS: ‘Adicionar camada PostGIS‘ (‘Add PostGIS Layer’) e ‘Gerenciador BD‘ (‘DB Mannager’).

Antes de tudo, é importante criar e configurar o acesso ao banco de dados PostGIS. Pressupondo que vc já possui o PostGIS instalado e configurado. O acesso ao seu banco de dados poderá feita através da ferramenta: Adicionar camada PostGIS.

Então, vamos ao que interessa:

AddPGLayer

ADICIONAR CAMADA POSTGIS

Ao adicionar tal opção do menu ‘gerenciador de camadas’, uma caixa de diálogo será aberta para que seja configurada uma conexão ao PostGIS. Eu já tenho uma conexão configurada (neste caso, chamada ‘Blog’), mas, para criar uma nova, basta clicar em ‘NOVO‘, para poder configurar a conexão com os parâmetros necessários.

Para criar uma nova conexão será imprescindível saber algumas informações básicas do servidor onde o PostGIS está hospedado, assim como ter usuário e senha de acesso. Caso esteja rodando o PostGIS em seu próprio computador, basta inserir ‘localhost’ na máquina. Caso contrário, insira o IP do servidor.
Informe o nome do banco de dados a ser acessado, usuário e senha.

CirandoConexaoFinalizando a criação da conexão é possível testa-la para averiguar se está tudo sendo devidamente OK ou se há algum erro.

Como você deve ter percebido, ao criar a conexão você indica a qual base de dados a conexão será realizada. Portanto para adicionar dados que estejam em bases diferentes será necessário criar conexões diferentes.

Uma vez criada a conexão a mesma ficará disponível na lista de conexões existentes. Bastando portanto, clicar em ‘CONECTAR‘.

Ao estabelecer a conexão com a base de dados, a lista de ‘esquemas’ será disponibilizadas (caso haja mais de uma), assim como será possível visualizar os respectivos dados vetoriais (tabelas) disponíveis em cada ‘esquema’.

adiconarTabela_PostGIS

Ao selecionar o dado espacial a ser adicionado ao projeto, há ainda a possibilidade de filtra-lo ao invés de adicionar todos os dados. Por exemplo, caso você queira apenas adicionar uma determinada feição, basta clicar em ‘ADICIONAR FILTRO‘, após ter selecionado da camada. Ao fazer isso a janela de diálogo de consulta será aberta e você poderá inclui a expressão considerando os campos e valores do dado em questão.

filtro

Não esqueça de clicar em ‘TESTAR‘ antes de ‘OK’. Depois é só ‘ADICIONAR‘ a camada com ou sem o filtro realizado.

Essa é uma das formas mais simples de se adicionar e trabalhar com dados espaciais armazenados em PostGIS. Porém, as possibilidades são um pouco limitadas à realização de filtros ou adicionar os dados completos. Contudo, há uma outra possibilidade um pouco mais interessante, principalmente para quem está aprendendo a trabalhar com SQL e análise espacial.

Antes, porém, gostaria de atentar que uma vez criada a conexão ao servidor do PostGIS e ao banco de dados, é possível acessa-lo pelo menu ‘BUSCADOR’:

Buscador

GERENCIADOR BD

A feramenta ‘Gerenciador DB’ ou, em ingles, ‘DB manager’, foi pensada como complemento, mas devido às importância e funcionalidades, logo foi implementada no ‘core’ do QGIS.

O mais interessante dessa ferramenta é que, como o próprio nome da ferramenta evidencia, a proposta é ter dentro do QGIS uma interface de gestão do PostGIS. A mesma pode ser acessada pelo menu: ‘Base de dados’>’Gerenciado BD’>’Gerenciado BD’. Ou, habilitando seu ícone ao clicar com o botão direito na barra de ferramentas.

Para ter acesso ao banco de dados, é necessário já ter criado a conexão com o servidor e ao banco desejado, como mostrado anteriormente.

Através da ferramenta ‘Gerenciador BD’ você tem listada todos os ‘esquemas’ do banco de dados, como na ferramenta anterior, mas com as possibilidade de:

a) Acessar informações sobre as tabelas:

GerenciadoDB_infob) visualizar os dados tabulares:

GerenciadoDB_tabelae c) pré-visualiza-las espacialmente:

GerenciadorDB_previsualizarAlém disso, esta ferramenta possibilita importar/exportar arquivos em formato shp.

Contudo, a parte mais interessante é a ‘Janela SQL‘, através da qual é possível construir consultas de processamento dos dados espaciais e adiciona-los ao projeto, sem a necessidade de salva-lo como tabela ou shp.

Só para dar um exemplo rápido, suponhamos que por alguma motivo seja pertinente criar um buffer de 300 metros para os dados de rodovia pavimentadas do estado do Rio de Janeiro.

Para isso realizo a consulta:

select gid, st_buffer(st_transform(geom, 32723), 300) from estrategico.rodovias where tipo='Pavimentada' and UF='RJ'

Pavimentada_buffer_300

Após ‘Executar’ a consulta, o resultado tabular é apresentado, bem como o resumo com a quantidade de linhas e o tempo de execução. Ao clicar em ‘Carregar uma nova camada‘, deve-se indicar as colunas de identificador único e de geometria, assim como o nome a ser dado à camada. Neste caso, ‘Pavimentada_Buffer_300’.

É fundamental que a consulta retorne com a coluna de identificador único dos registros para que a camada possa ser adicionada corretamente, não só a coluna de geometria.

Como resultados, teremos:

Resultado1

Porém, pode-se, ainda além de fazer o buffer, realizar o ‘dissolve’ (ou ‘union’, na linguem SQL) do resultado. Para tanto, usamos a consulta:

select 1 as gid, st_union(st_buffer(st_transform(geom, 32723), 300)) from estrategico.rodovias where tipo='Pavimentada' and UF='RJ'

Como ao realizar o ‘union’, eu passo a ter apenas um registro o qual não possui campo de identificador único, eu já defino um valo e o atribuo a uma coluna ‘gid’:(“select 1 as gid, …”)

Pav_Buffer_Union

Definindo os campos necessário, adicionamos o resultado ao projeto:

Resultado2

Todos os resultado ficam salvos como camadas espaciais do projeto. Ao salvar o projeto e reabri-lo, as mesmas já estarão prontas, como acontece com qualquer outro dados espacial armazenado através de arquivos…

A ferramenta ‘Gerenciador BD’ é uma ótima forma de aprendizado para a realização de consultas espaciais de banco de dados que envolvam processamentos. Poder visualizar os resultados nos ajuda, em muito, saber se deu certo ou obtivemos êxito. Além disso, ajuda muito por não ser necessário salvar o resultado em shp ou tabela. Porém, é importante que, se a análise realizada for de interesse permanente é fundamental que a mesma seja armazenada de forma apropriada.

Caso tenha interesse, há um tutorial no site oficial do projeto QGIS.

Espero que as ferramentas e a apresentação seja útil. Caso tenham gostado, ou encontrado alguma dificuldade ou erro, deixe seu comentário!

Publicado em Banco de Dados Geográficos, QGIS | Marcado com , , , , | 3 Comentários

Onde e como está sendo usado o QGIS Brasil?

Ótima iniciativa da comunidade brasileira de QGIS!
Chega mais: Cadastre-se, contribua, seja livre ;)
Abs

Publicado em Banco de Dados Geográficos

Tradução do QGIS 2.x

Publicado em Banco de Dados Geográficos

UFSC conclui o projeto de adequação do QGIS ao público brasileiro

Ótimo artigo sobre a evolução da comunidade brasileira de usuárioa do QGIS! Originalmente publicado em: http://laam.ufsc.br/2014/04/19/laam-conclui-o-projeto-qgisbrasil/

Publicado em Divulgação, QGIS | Marcado com , ,